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Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012 - Ano Litúrgico B
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Homilias » Homilia Dominical

Leituras:  Jn 3,1-5.10; Sl 24(25); 1Cor 7,29-31; Mc 1,14-20

                “No dia em que celebramos a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, também nós somos convidados a morrer ao pecado e ressurgir para uma vida nova”. Assim a liturgia se expressa nos ritos iniciais no momento do ato penitencial da santa missa. Hoje a liturgia nos apresenta Cristo Jesus como o caminho de conversão e construção do Reinado de Deus.

                Recordando a primeira leitura, Jonas, a mando de Deus põe-se a caminho para anunciar a palavra de conversão que lhe é confiada. Todo o povo da cidade de Nínive fez penitência e se converteu a partir das palavras proferida pelo profeta. Nessa mesma lógica, o evangelho nos apresenta Jesus que caminha na Galiléia, anunciando a conversão e convocando os discípulos. Ele convida os discípulos a deixar tudo e caminhar com Ele para anunciar a conversão e o reinado de Deus. O Salmo responsorial insiste nesta mesma idéia: “mostrai-me ó Senhor vossos caminhos, vossa verdade me oriente e me conduza”. Vemos claramente nas palavras destas leituras a expressão mais profunda da compaixão divina e da misericórdia que conduzem o pecador ao bom caminho.

                Creio que as explicações mais precisas para entendermos a liturgia de hoje se encontram na segunda leitura, quando o apóstolo Paulo comunica a urgência da conversão em duas afirmações: 1) “o tempo está abreviado...” 2) “pois a figura deste mundo passa...” “O tempo está curto”, refere-se à brevidade da vida e a proximidade da salvação que exige a relativização de todo e qualquer esquema de vida. Neste sentido podemos compreender a segunda expressão: “a figura deste mundo passa”. A palavra grega usada para “figura” é “schema”, que pode ser traduzida por esquema, forma, mas também por atitude. Lembrando a conversão dos ninivitas e o seguimento dos discípulos que deixam tudo por causa do Reino de Deus, podemos afirmar a necessária relativização deste mundo, que deverá ceder lugar a um mundo pautado no Governo de Deus. Podemos lembrar aqui outra passagem do Evangelho que diz: “O que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a própria vida”. A conversão proposta pela liturgia de hoje, exige a destruição de um tipo de existência para dar lugar à outra; aquela da conversão dos cidadãos da cidade de Nínive; aquela exemplificada pelos discípulos que deixam as redes para seguir o projeto proposto por Jesus, ou seja abandonam um esquema de vida em função da salvação contemplada por Jesus.

                Mais do que nunca hoje a Igreja está empenhada no anuncio da Palavra, na ação missionária para que todos possam conhecer Jesus e seu amor misericordioso. Neste sentido, a liturgia deste domingo nos convoca a pôr em suspeita todo o esquema a fim de verificar se sua direção está conforme o amor de Deus que se mostrou tão óbvio na história da humanidade que é capaz de modificar nossa vida frutificando em boas obras.

                Diante disso pode-se concluir esta reflexão a partir dos seguintes pontos: 1) Precisamos evangelizar as grandes cidades a fim que modifiquem seus esquemas que não conduzem a vida; 2)Devemos pensar que nossa vida neste mundo passa, e, o que permanece é o Projeto de Jesus; 3) É preciso conversão para compreender o Reino de Deus como valor absoluto.

Pe. Irineu Roman – Pároco

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